sexta-feira, 21 de abril de 2006
sábado, 15 de abril de 2006
Nathan Fake
Tem vinte e três anos, um laptop com software Cubase e uma caixa de ritmos.
Os pais eram agricultores e a sua vida de teen desperta-o para a insatisfação de viver numa das mais banais e desinteressantes regiões inglesas, Norfolk, longe do cosmopolitismo de Londres, Manchester ou Liverpool.
Chegou então a habitual vontade de fazer covers e o inevitável mimetismo dos standards Pop de há 6 ou 7 anos, ainda no liceu. Desde logo com a ajuda da mesma caixa de ritmos que ainda hoje o acompanha.
Mas era só uma questão de tempo até chegar a vontade de fazer novo.
Algures no tempo surge a compra do laptop, e o interesse pelas sonoridades infindas que de um PC portátil amplificado se pode extrair. Chegam as primeiras composições, poucas, sucessivamente trabalhadas em casa, só muito depois em estúdio.
O resto da história são mais de 2 anos até chegarmos a "Drowning in a Sea of Love", o melhor àlbum de 2006 que até agora conhecemos."Granfathered", "Bumblechord", ou "The Sky Was Pink" (este o primeiro hit, ainda em 2004) são composições de arrepiar qualquer espírito vivo.
Em entrevista recente à revista "Mixmag", Nathan revelava o pavor de quando teve de actuar para 5.000 (na Bélgica) e a sua preferência por performances em bares com não mais que 30 ou 40, sempre acompanhado apenas de um segundo camarada - Vincent Oliver, o seu editor - que se ocupa da projecção video.

Enquanto ansiamos pela sua vinda a Portugal, para performance idealmente em espaço pequeno, fica o desafio para o consumo massivo deste som - o àlbum acabou de chegar aos escaparates da FLUR - uma espécie de poção encantatória, talvez somente não muito aconselhável a estados de paixão em curso...pois pode amplificar severamente.
Entretanto uma possibilidade de AQUI se ouvir as músicas, alguns full live acts e as palavras de Nathan.
sábado, 8 de abril de 2006
Os Sofa Surfers ontem, no Club Lua
Todos eles figuras sólidas da modernidade musical europeia, Mani Obeya nas vozes, Wolfgang Frisch na guitarra, Timo Novotny no baixo e electrónicas, Markus Kienzl nas electrónicas, Michael Holzgruber na bateria e Wolfgang Schloegl (I-Wolf) também nas electrónicas, no segundo baixo e nos vocais de suporte arrasaram ontem a audiência - curta, pois pequeno é o espaço também - do Club Lua, com uma demonstração vibrante e eléctrica, em grande medida retirada do mais recente àlbum, de 2005.
A voz com alma de Mani Obeya, novidade do último ano, acrescenta densidade espectacular aos Surfers, conferindo-lhe a energia Pop que com eles nunca se revela em excesso.
Foi afinal um privilégio assistir a uma performance de muito elevado calibre, em que se confundiram heavy dub, electrónica e puro Pop, nunca se renegando a marca ainda viva e saudosa da Viena de Áustria dos anos 90, ontem variadas vezes convocada ao palco do Club Lua.
segunda-feira, 27 de março de 2006
J.S. Bach, a propósito da música, ou o inverso
Há anos discutiamos com espíritos renitentes a razão de ser de estar a música no centro de uma vida, neste caso a vida de um de nós.
Recorremos então ao exemplo de um médico europeu (Albert Schweitzer) que, em África (no Gabão), em missão humanitária, ao mesmo tempo que ajudava as populações com raro mérito, foi autor de um cruzamento cultural vivo, único e definitivamente autêntico.
Uma experiência para a posteridade traduzida por intérpretes terceiros, no magnífico disco "Lambarena", e que consistiu em se fazer tocar música de J.S. Bach por músicos amadores africanos, com instrumentos locais adaptados como se se tratasse de agrupamentos de câmara.
A música, tal como a sentimos há mais de duas décadas, é mais que o cigarro que muitos fumam, mais que um vício.
Não é, de todo, apenas aquele rumor non stop que colocamos no ar para encher vazios, apenas porque incomoda o silêncio.
É mais, muito mais, que o alimento que ingerimos a horas certas, bem mais que pão para o estômago.
A música é assim como a àgua que bebemos em dia de 45º, uma razão de vida.
É o ombro intestino para os dias difíceis, a força que ajuda a tolerar a infinita normalidade de todos os dias, as angústias de alguns outros, a paixão icorrespondida, ou apenas a excessiva.
A música pode e é para milhares pelo mundo inteiro a razão maior, o filho que cresce connosco, ao mesmo tempo que é a mãe, fonte e modelo, lugar de absoluta paixão.
É ao mesmo tempo instrumento do silêncio e da solidão.
Pensar em vidas de compositores como Bach, Mozart, Beethoven, Mahler, Miles Davis, Louis Armstrong, Bill Evans, Jacques Brel, Billie Holiday, Jim Morrison, tantos outros, é pensar definitivamente em paixão, como se o coração de todos eles ao bater tivesse feito soar sempre uma melodia, um ritmo, uma valsa.

E de novo Bach e os cruzamentos de culturas. Muitos anos antes do médico Schweitzer, houve Heitor Villa-Lobos (1887-1959), um compositor erudito do Rio de Janeiro que cruzou também Bach com as melodias tradicionais brasileiras, designadamente com as sonoridades mais ancestrais encontráveis ainda então na densidade amazónica.

As notáveis "bachianas" de Villa-Lobos são outra poderosa demonstração da verdade maior de que a grande música, como a grande literatura, a poesia, o grande cinema não prescindem: a grandeza do espírito estabelece-se com valores fortes de humanidade, quase sempre com simplicidade, procurando a intemporalidade e a universalidade. Mesmo sem o saberem. Como se esse resultado fosse um prémio, mais que um móbil.
domingo, 26 de março de 2006
"A Fuga da Arte", de Ricardo Saló, na Antena 2
Para quem anda distraído fica o aviso/pergunta: está interessado em conhecer aquele que é talvez o mais perfeito espaço musical da rádio portuguesa de sempre?
Dura cerca de 55 minutos cada semana e quem não ouviu ainda já perdeu 13 oportunidades de deslumbramento, com a música e a palavra juntos como nunca ouvimos.
É na Antena 2, na frequência 94,4, todos os domingos, às 20:00.
Cada emissão é nada menos que histórica, nossa garantia.
PS - nota lamentável apenas, o facto de no sítio Internet da RTP (Rádio e Televisão de Portugal) não haver arquivo de programas, ao contrário do que durante anos sucedeu no anterior sítio da RDP.
Os nossos sons deste início de 2006
Em 2006 chegou-nos uma Ursula Rucker com sons ainda mais poéticos, encantatórios, a sugerir que se oiça o que diz.
Mas Steve "The Scotsman" Harvey trouxe-nos o som que mais impressiona até agora, de tudo quanto gravado em 2006 nos chegou, farto de alma e cor, feito de saber e experiências, resultado de idade e de por certo até fracassos (como pode não ser fracasso o silêncio pretérito?).
Já do que chegou de antes de 2006, marca-nos há largas semanas o raro "Roma E6 7825", bem escondido no outro lado do magnífico vinil "I Feel Space", de algures por Maio de 2005.
É certo que é um som muito em antítese do que mais reputaria depois os magos de Oslo, mas é facto que nada mais belo ouviamos de há muito.
O álbum da dupla que em fim de 2005 a muitos veio a encantar irremediavelmente, tinha afinal aqui - mais até que em "I Feel Space", embora tanto quanto em "Goettsching" de Prins Thomas e na versão extensa de "Turkish Delight" - a mais notável primogenia.
De novo Lindstrom & Prins Thomas
Entre Fevereiro e Março deste 2006, eis que nos ressurgem delícias de Oslo:
de Hans Peter Lindstrom, remisturado por Prins Thomas, "Another Drink";
da dupla maravilha, "Mighty girl".
Cá entre nós, a Flur já tem o maxi, mas nada como ir urgentemente ouvir um pouco.
sexta-feira, 13 de janeiro de 2006
A revista espanhola DANCEDELUX lançava o seu número final, 20 anos depois do início de publicação. Pela nossa parte, que somente no fim a conhecemos, fica a angústia de como pode ter-nos passado ao largo, numa era de tão débil comunicação cultural deste nível.
A DANCEDELUX despediu-se com várias listagens, uma delas inteiramente imperdível, dos 50 melhores discos de música electrónica do seu próprio periodo de existência.
No DIVERSUS, nós que tanto amamos a música (que i) nova, que nunca descuramos as nossas e as outras grandes listagens (em Portugal as de Ricardo Saló, Isilda Sanches, mais recentemente de Vitor Belanciano, de Zé Pedro Moura, etc.), afinal um modo como outros de referenciar para memória futura, consideramos esta tardia descoberta um dos grandes momentos de 2005, sobretudo pela revelação de mais de uma dezena de nomes, acima de todos dos notáveis APHEX TWIN, de Richard James.
Na improvável hipótese de algum dos nossos leitores algum dia descobrir números anteriores da DANCEDELUX, ou mais exemplares do (decerto raro) número final, fica o desafio à compra e o convite para a partilha com estes escribas (utilizando-se a zona de "comments").
sábado, 7 de janeiro de 2006
Noruegueses em Lisboa
A propósito da vinda de Hans-Peter Lindstrom e Prins Thomas a Lisboa - a 19 de Janeiro - e ao Porto - a 20 - propomos aqui dois "links", o primeiro para a editora FEEDELITY e depois para um "site" magnífico e para uma DJ set live performance de Lindstrom.
São 73 minutos de escolhas e misturas ao vivo fantásticas, entre as quais um surpreendente trabalho sobre uma canção de Annette Peacock.
Ora deslumbrem-se (aberto o link, procurar "guest mixes", depois Lindstrom e fazer click sobre "Real Audio stream")!!!
quinta-feira, 5 de janeiro de 2006
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