Em suma, Gilles Peterson é um verdadeiro hiperactivo. E ainda bem.
Não querendo desviar o focus da actualidade, importa reter o disco lançado há alguns meses pela UBIQUITY Records e que em Portugal só agora se encontra, mas apenas com algum faro (atenção à variação de preços, uma autêntica aberração): Gilles Peterson Digs America.

Em pleno ano de ouro para as compilações e em geral para as buscas de fitas tidas por perdidas ou antes negligenciadas, o pecúlio Soul (mas também Funky, Jazz e até Country) que Gilles Peterson desenterrou e nos dá a ouvir neste àlbum é histórico, um verdadeiro acontecimento que merece de todos um esforço de urgente descoberta.
E de descoberta pois que a totalidade dos artistas chamados ao palco eram absolutamente desconhecidos até agora. E no entanto magníficos.
Como já escreveu Ricardo Saló, apetece agora ir à procura das inúmeras edições em que dispersamente muitos deles foram por certo publicando nas últimas décadas e saber sobre todos e perguntarmo-nos depois onde temos nós andado para até agora desconhecermos criadores deste calibre.
Para a cena musical Soul, Gilles Peterson Digs America pode vir a ter o significado que Buena Vista Social Club teve para a nova vaga de divulgação da música cubana. Com uma diferença: os protagonistas de Gilles não estarão já vivos. Muito tarde afinal ... talvez.